Domingo estive em Cubatão com o Miguel da Take a Take, o Ricardo e o Hércules para apresentação de stand up comedy. Ainda não conhecia os caras, que são, todos, muito divertidos. Quinta feira vou acompanhá-los em apresentação no Jockey Club.
Ontemdei um pulinho, como diria minha mineira mãe, até a Mercearia pro concorrido lançamento do livro PORNOPOPÉIA, do meu amigo Reinaldo Moraes. Claro, tava toda a rapaziada por lá, inclusive o recluso Pierre Kumasato e sua elegante esposa Luana, pasmem, consegui contato visual e verbal com concorridíssimo poeta e roteirista Marcelo Montenegro.
O Reinaldo, não sei se sabe, mas lançou uma verdadeira bomba-relógio no mercado editorial brasileiro, um destes livros que, sozinho na prateleira, já dá conta de expor a mediocridade da maioria dos ditos escritores brasileiros, destes que freqüentam a lista dos mais vendidos e que dão palestras e são amigos do Diogo Mainardi, e, o melhor, o livro não fala sobre escritores.O livro do Reinaldo éum direto, um upper no leitor medíocre, destes cujas estantes mais parecem um cemitério,abrigando centenários, moribundos, defuntos clichês, carinhas que freqüentam as gôndolas da L&PM como se fosse um sacolão literário, estes sujeitinho que gostam de citar Hemingway como um cara que adorava touradas. O livro do Reinaldo é uma lufada salvadora neste fim de mundo onde psicografistas e autoajudistas de plantão fazem a festa da industria de celulose.
Este site tava uma zona, talvez uma exteriorização (!) da minha vidinha. Mas dei uma faxina hoje e de quebra consegui postar o texto que o Mário tem deixado eu ler nos shows da banda Saco de Ratos. Valeu. Como disse lá ontem, isto era pra ser um texto confessional ginasiano, mas a literatura tem esta mania de universalizar o que era pra ser privado, ou então, prefiro acreditar, estamos todos no mesmo barco.
WALK ON THE WILD SIDE
Às vezes eu paro tudo que tô fazendo e olho pra minha memória, dou uma geral como uma velha faxineira em seu último dia, vasculho tudo. Sempre me deparo com uma imagem: eu, sozinho, de madrugada, caminhando pelas ruas de Londrina, a chuva como napalm. Lembro de imagens que me acompanhavam neste tempo. Uma selva vietnamita em chamas ao som dos Doors, um jovem atirando-se de cabeça num lago e saindo de lá me desejando um feliz ano velho, James Dean morto em cuba, um garçom me oferecendo sangue de coca cola, garotas do Mãe de Deus sentadas nas escadarias escondendo a calcinha dos meus olhos, o último ônibus partindo e a chuva. Era um tempo em que eu desejava morar num velho prédio de inquilinos derrotados, bebendo com um carteiro metido a poeta, quando eu só queria uma máquina de escrever emperrada pela areia do deserto de Mojave e Santa Ana, uma carta de minha mãe rezando alone numa cidade coberta pela neve. Lembro claramente da enxurrada entrando em meus sapatos furados e eu desejando uma moto e uma free way qualquer, um magnum 44 pra apontar pro espelho e dizer: are you talk to me? Me via um boxer gordo e orgulhoso demais pra encarar a lona, um garoto jogado numa prisão agrícola comendo ovos cozidos numa aposta maluca. A chuva não pára. Molhado, eu caminhava pensando em ligar pra ela. Nunca ligava. Um parnasiano apaixonado e indignado por não saber os meandros da sedução. Atrapalhando-me com as palavras, dando bandeira em coquetéis enquanto ela caía fora. Pensava em poemas mortos, em pop stars gordos, barbudos, entrando numa banheira suicida em Paris, num irmão distante precisando ouvir de minha boca uma frase que nunca saía. Sempre gostei de andar sozinho, à noite, na chuva. Podia me ver numa cidadezinha, num pequeno aeroporto simulando uma despedida com classe e remorso, podia me ver enfrentando um barman gordo e sádico a troco de um gole, de um misto quente. Agora estou em casa, protegido da chuva, eu a vejo da janela, no aconchego, agora tenho com quem conversar em silêncio. Não tenho mais uma Olivetti, não troco papéis ou escuto reclamações do barulho das teclas ensurdecendo meus pais. Olho no espelho e parece que vejo um cantor de rock’n roll inchado de medicamentos suspeitos, prisioneiro de um coronel sem farda, um samurai empunhando inutilmente sua desonrosa bokan. Não me chamam pros bares, não preciso mais andar a pé. Parece que naquela noite havia uma orquestra invisível me acompanhando, detonando árias ensurdecedoras, Dvorak. Não tem mais chuva. Não há mais brigas nas calçadas, não invado casa de amigos e nunca mais vi uma arma apontada pra minha cara magra e ossuda. Tento recuperar aquela noite, o que sobrou dela, dos amigos que antecederam aquela caminhada, da prosaica ficha telefônica, do anacrônico LP sob o braço endereçado a uma reconciliação desejada e inevitável. Parece que estou exilado, uma ilha de Santa Helena financiada pela caixa econômica federal. Eu sei que não morri, ainda estão rolando os dados, o traidor não vai se enforcar, e não haverá bandeiras desfraldando-se, mas eu insisto, abro a geladeira de madrugada e faço um piquenique com meu cachorro, ela me chama. Salvo mais uma vez. Há momentos em que penso em voltar pra chuva, sair lá na rua, chutar algumas poças, esmurrar orelhões, assaltar um carrinho de cachorro quente, mas os tempos são outros, e tem sempre alguém me dizendo: não esqueça de levar o guarda-chuva.
Consegui finalmente editar o video de minha apresentação no Coletivo Galeria. Na noite, talvez a mais fria do ano, rolou um puta acústico com a banda Saco de Ratos: Mário Bortolotto, Marcelo Watanabe, Fabio Brun e Flavio Vajman. Paulão (Velhas Virgens) deu uma bem vinda canja.
Semana boa em São Paulo. Reuniões de gente grande, tudo apontando pro lançamento do filme que está cada dia mais próximo.
Muitas pessoas tem me perguntado pra quando está previsto este lançamento, e, de acordo diretrizes recente, a data de estéia é 13 de novembro de 2009.
Terça feira fui ver mais uma vez a catarse coletiva que é o show da banda Saco de Ratos.
Antes da música “Velho Quarteirão” (é isso?), o Mario Bortolottome deu chance de ler um texto que gosto muito e que fala de nosso tempo em Londrina, anos 80, livros, planos e verborragia regada a vinho da adega União. O texto tá no final deste post.
Segunda feira terminei de ler o PORNOPOPÉIA, o catatau sexo-drug-literário de Reinaldo Moraes. A narrativa é deliciosa, rápida e cheia de uma disfarçada sofisticação e erudição.
Zeca é um maluco que depois de meter-se numa seita indiana que atende por bagahbagahdogah (repita), acaba envolvendo-se num torvelinho alucinado de sexo, drogas e violência. Destaco aqui a invenção reinaldiana do narrador fake, embora ele se pareça muito com o próprio Reinaldo Moraes, ele deixa claro não ser o próprio, e sim uma voz, um ser, uma entidade, que, a todo momento conversa com um tal de você, que eu, bestamente, acreditei tratar-se de minha pessoa: o leitor, mas não é, o tal você, com quem o narrador conversa e acerta inclusive detalhes da finalização do livro, é na verdade o próprio Reinaldo Moraes. Num dado momento o narrador cita o livro “Mulheres” de Charles Bukowski, e, cinicamente pergunta ao seu interlocutor:
_ Foi você quem traduziu, não foi?
O livro, apesar do tamanho, são 475 páginas, não assusta, não cansa, é prosa gostosa e adrenalínica. Pra ser lido, bebido ou aspirado.
Recebi ontem pelo correio, autografado, o mais novo romance de Reinaldo Moraes: PORNOPOPÉIA. A noite peguei pra ler. Reinaldo afirma logo nas primeiras páginas que esta ficando velho, cada vez mais cético, hipócrita e intolerante... pode até ser, mas se tem uma coisa que a idade nao interferiu foi em seu estilo. O mesmo Reinaldo de Abacaxi e Tanto Faz está lá, a ironia, os cortes abruptos, a erudição disfarçada em piadas infames e acima de tudo sua forma peculiar de mostrar a mediocridade através de pequenos atos. É um livro que, nao fosse pelo volume de páginas, daria pra ler numa sentada, tão deliciosa a prosa e tão frenético o ritmo.
Durante as filmagens de Meninos de Kichute, estive o tempo todo com minha camera na mão e uma idéia na cabeça: registrar tudo. O resultado é um vasto material que agora começa a se tornar público. A equipe de Marketing do longa Meninos de Kichute me solicitou uma série de pequenos clips de making of. Este é o primeiro.No Youtube você já pode assistir também aos depoimentos de pessoas que assistiram a exibição do penúltimo corte. para assistir clique no link abaixo:Making Of Meninos de Kichute
Hoje estréia a peça CURTA PASSASGEM, do meu amigo Mário Bortolotto. Vi a estréia desta peça em Londrina, acho que há uns dez anos (é isso Mário?) e foi uma espécie de divisor de águas na dramaturgia no Mário, onde as personagens femininas são mais fortes, elas é que dão as cartas e deixa os loosers nas beira da estrada. A cena FAZ FRIO NA VARANDA, é hilária do começo ao fim, uma mostra de como o autor tem um domínio fodido sobre o texto, o foco e os diálogos. O Personagem BILLY, a garota, é também um caso a parte, pode ser encarada como uma grande piada de humor negro ou uma grande poesia urbana homenagenado os párias, tudo depende de como foi o teu dia.
Mas, nesta estréia, sem desmerecer o trampo do Heldo, da Guta Ruiz, o destaque vai mesmo ficar para a estréia do Carlos Carcará como ator.
Caso vc decida ver a peça hoje, convem chegar cedo, os primeiros lugares estao sendo disputados a tiros. Ouvi dizer que haverá cambistas pela Roosevelt.
Ontem participei, mais uma vez, a convite do Alexandre e do Márcio Ribeiro, do Seleção do Humor, no Tetro Folha, em Higienópolis. O Rafael Rabin nao pode ir, queria te-lo conhecido, ele tem um tipo de humor bem peculiar e criou uma persona convincente e original. Mas pude conhecer o Ben Ludmer, que além de comediante é mágico, me diverti muito com seu tipo blasé fleumático. Ontem, diferente de outras apresentações, nao fiz o open mic, e sim uma "canja", ou seja, pude apresentar meu material pelo mesmo tempo que os convidados. Foi realmente muito bom. A caminho do teatro, como costuma acontecer eventualmente com comediantes, pensava: quem eu estou enganando? Eu nao tenho graça nenhuma! Eu estava errado, pelo menos na opinião do público, que riu pra caralho e aplaudiu. Confesso que saí dali meio que refeito e pronto pra outra. Segunda Feira volto na Galeria Coletivo, o show começa as 20:30. Depois coloco o endereço aí.
Terça feira fui ao show da banda Saco De Ratos Blues no The Wall, ali na 13 de Maio, praticamente ao lado da antiga sede de produção do filme Meninos de Kichute. Já tinha vistos alguns shows antes, mas este, em particular, tinha alguma coisa de especial. Eu tava num daqueles dias putos, me decidindo se cortava os pulsos ou começava militar na ong da lucinha araújo, antes que o pior acontecesse me mandei pro The Wall. Sentei-me próximo ao palco, ao lado das amigas Fernanda D'umbra, Cris Couto e a Sra. Montenegro, mas em volta, pelo salão, em outras mesas estavam os velhos amigos de sempre, cada um fazendo o que sempre fez e nesta noite, olhar cada um deles, também me fez muito bem. O show começa bem PORRE EM IRERE, mas num dado momento o show começa a ficar intimista, o Marião começa a dichavar uma canções cujas letras vão aos poucos desconcertando, me fazendo desviar o olhar do palco, procurar fuga na lata vazia de energético. Não é constrangimento, só uma timidez filha da puta que as vezes me impede de compartilhar determinados sentimentos. Saquei naquele dia que a arte ainda é a melhor maneira de dizer alguma coisa, qualquer coisa, nem que seja apenas: é, as coisas não são fáceis, mas e daí, o que você sugere? O show da terça feira foi uma espécie de catarse pessoal que há muito tava pendurada, esperando a hora. Saí dali me sentido vivo novamente. Pode ser que este post não pareça muito claro, mas e daí? quem disse que seria?
Segunda feira tem mais na Galeria Coletivo, prepare-se.
O Chamé, mais conhecido como o dono do bar Valentino, criou o projeto Marquinhos Diet Convida, através do qual o músico convidará, a cada edição, um artista local para dividir com o palco. Para a estréia do projeto o escolhido foi este que vos escreve. Hoje a noite, a partir das 22 horas, faço meu show de stand up comedy, com textos novos. Devo fazer meia hora a quarenta minutos de espetáculo e, na sequência, entra Marquinhos Diet fechando a noite. Conversei ontem com o Marquinho e ele pretende também apresentar, além de canções conhecidas, material inédito.
Então fica assim, se vocë quer uma noite de música e humor, apareça por lá.
MARQUINHOS DIET CONVIDA
com Márcio Américo
Bar Valentino - A. Faria Lima, 486 - Informações (43) 3348 0791