Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Mário Bortolotto
 Fernanda D'Umbra
 Ademir Assunção (Pinduca)
 Mauricio Arruda Mendonça
 Nelson Peres
 Chacal
 Marta Nowill
 Tadeu
 Edvaldo Santana
 Banda Velhas Virgens
 Marcello Amalfi
 Sebo do Bactéria
 Bressane
 Marcelo Montenegro
 Rubens K
 MikenucleaR
 Zé Mishima
 Carlos Carah
 Thadeu Wojciechowski
 Banda La Carne
 Miguel Rosário
 Ronaldo Ventura
 Sergio Mello
 Paulo Stocker
 Marcio Scheell
 Pierre
 Paulo de Tharso
 Regis Trovão
 Karen Debértolis
 Fabiana Vajman
 Roberto Gobatto
 Ivama Debertolis
 Londrix
 Aline
 Flávio
 Fernando
 Enéias
 Domingos Pellegrini
 Tche
 Carlos Muzilli
 Luana Vignon
 Cronopios
 Rodrigo Garcia Lopes
 Hank
 Cassio Amaral
 Danny Boy
 Gruvox
 Flavinho Vajman
 Celia Musilli
 Fábio Pendiuk
 Bruka
 Leo Pinto
 Paulinho Pankada
 Joel
 arrudA
 Alessandro Bartel (Robocop)
 Paulo Picanha
 Marcelo Galvan
 Diário da Carola
 Diniz
 Cena Rock
 Jotabê Medeiros
 Mariozinho
 Marcelino Freire
 Daniel Galera
 Rubens Pileggi
 Leo Vinhas
 Revista Lasanha
 Encruado (Zine)
 Tania
 Camilla Lopes
 Rafael
 Moisés
 Nina
 Marcelo Mirisola
 Blog do Batata
 Rodrigo Amadeu
 Revista ETC
 Rodrigo Amadeu
 Beto
 Bhal
 Chimeni


 
 
Blog do Márcio Américo


 

Este site tava uma zona, talvez uma exteriorização (!) da minha vidinha. Mas dei uma faxina hoje e de quebra consegui postar o texto que o Mário tem deixado eu ler nos shows da banda Saco de Ratos. Valeu. Como disse lá ontem, isto era pra ser um texto confessional ginasiano, mas a literatura tem esta mania de universalizar o que era pra ser privado, ou então, prefiro acreditar, estamos todos no mesmo barco.


WALK ON THE WILD SIDE


Às vezes eu paro tudo que tô fazendo e olho pra minha memória, dou uma geral como uma velha faxineira em seu último dia, vasculho tudo. Sempre me deparo com uma imagem: eu, sozinho, de madrugada, caminhando pelas ruas de Londrina, a chuva como napalm. Lembro de imagens que me acompanhavam neste tempo. Uma selva vietnamita em chamas ao som dos Doors, um jovem atirando-se de cabeça num lago e saindo de lá me desejando um feliz ano velho, James Dean morto em cuba, um garçom me oferecendo sangue de coca cola, garotas do Mãe de Deus sentadas nas escadarias escondendo a calcinha dos meus olhos, o último ônibus partindo e a chuva. Era um tempo em que eu desejava morar num velho prédio de inquilinos derrotados, bebendo com um carteiro metido a poeta, quando eu só queria uma máquina de escrever emperrada pela areia do deserto de Mojave e Santa Ana, uma carta de minha mãe rezando alone numa cidade coberta pela neve. Lembro claramente da enxurrada entrando em meus sapatos furados e eu desejando uma moto e uma free way qualquer, um magnum 44 pra apontar pro espelho e dizer: are you talk to me? Me via um boxer gordo e orgulhoso demais pra encarar a lona, um garoto jogado numa prisão agrícola comendo ovos cozidos numa aposta maluca. A chuva não pára. Molhado, eu caminhava pensando em ligar pra ela. Nunca ligava. Um parnasiano apaixonado e indignado por não saber os meandros da sedução. Atrapalhando-me com as palavras, dando bandeira em coquetéis enquanto ela caía fora. Pensava em poemas mortos, em pop stars gordos, barbudos, entrando numa banheira suicida em Paris, num irmão distante precisando ouvir de minha boca uma frase que nunca saía. Sempre gostei de andar sozinho, à noite, na chuva. Podia me ver numa cidadezinha, num pequeno aeroporto simulando uma despedida com classe e remorso, podia me ver enfrentando um barman gordo e sádico a troco de um gole, de um misto quente. Agora estou em casa, protegido da chuva, eu a vejo da janela, no aconchego, agora tenho com quem conversar em silêncio. Não tenho mais uma Olivetti, não troco papéis ou escuto reclamações do barulho das teclas ensurdecendo meus pais. Olho no espelho e parece que vejo um cantor de rock’n roll inchado de medicamentos suspeitos, prisioneiro de um coronel sem farda, um samurai empunhando inutilmente sua desonrosa bokan. Não me chamam pros bares, não preciso mais andar a pé. Parece que naquela noite havia uma orquestra invisível me acompanhando, detonando árias ensurdecedoras, Dvorak. Não tem mais chuva. Não há mais brigas nas calçadas, não invado casa de amigos e nunca mais vi uma arma apontada pra minha cara magra e ossuda. Tento recuperar aquela noite, o que sobrou dela, dos amigos que antecederam aquela caminhada, da prosaica ficha telefônica, do anacrônico LP sob o braço endereçado a uma reconciliação desejada e inevitável. Parece que estou exilado, uma ilha de Santa Helena financiada pela caixa econômica federal. Eu sei que não morri, ainda estão rolando os dados, o traidor não vai se enforcar, e não haverá bandeiras desfraldando-se, mas eu insisto, abro a geladeira de madrugada e faço um piquenique com meu cachorro, ela me chama. Salvo mais uma vez. Há momentos em que penso em voltar pra chuva, sair lá na rua, chutar algumas poças, esmurrar orelhões, assaltar um carrinho de cachorro quente, mas os tempos são outros, e tem sempre alguém me dizendo: não esqueça de levar o guarda-chuva.

Márcio Américo



Escrito por Márcio Américo às 21h31
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]



PORNOPOPEIA

 O romance de Reinaldo Moraes continua dando o que falar.

Em sua coluna no site congressoemfoco.com.br, o também escritor Marcelo Mirisola fala sobre Pornopopéia.

 



Escrito por Márcio Américo às 10h37
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]




[ ver mensagens anteriores ]