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ELENCO E LOCAÇÕES
A produtora de elenco Cassia Guindo e sua assistente Vivian Amadio já selecionaram quase 500 meninos e meninas para o filme. Acompanhei vários dos testes, e, tem garotos realmente muito bons, já consigo ver entre eles vários personagens da turma dos meninos de kichute: Barriguinha, Gambá, Edivaldo, Pilico, Zé Luis, Irmãos Bacalhau... Esta semana foi feito o "reteste" com vários meninos e semana que vem segue com a escolha do time. Hoje estive com o produtor de locação Waltinho Magalhães, o diretor Luca e a assistente de direção Flávia Thompson, visitando algumas locações, entre elas a escola... Ele, o Waltinho, além de ser um puta dum cara legal, descolou locações adequadíssimas, entre estas uma escola que é melhor que a original, entramos lá como quem entra no túnel do tempo. Pra mim tá sendo muito bom, eu que sempre vi o cinema como uma possibilidade, agora tenho a oportunidade de acompanhar a produção de um longa desde o livro até às telas.

Luca "testando" os possíveis meninos de kichute.

Você vê aqui algum dos meninos de Kichute?
Escrito por Márcio Américo às 18h19
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NOS TEATROS

Estou aproveitando o tempo em sampa para ver alguns espetáculos que, em Londrina eu jamais veria (só vi Chapa Quente no Filo porque a Fernanda Coelho me “colocou pra dentro”).
Fui ver o Natimorto. É uma destas peças que ao final você não consegue dizer absolutamente nada, apenas levanto-me da poltrona me sentindo impotente e desorientado, me fazendo mil perguntas enquanto a respiração vai gradativamente voltando ao normal. A adaptação do Mário Bortolotto é tão boa que o Luca me perguntava durante o espetáculo: é texto do Mário?, ou seja, uma simbiose respeitosa , honesta e criativa entre autor e adaptador. O elenco sincronizado, equilibrado e a direção, como costumo dizer é quase imperceptível. Ainda bem que vi.

Vi também o Tape. E, ao final da peça, ficou ricocheteando pela minha cabeça a frase: as coisas não são tão simples assim. Ainda não tinha visto em teatro, salvo aquelas comédias de erros, mas aí é outro papo, um texto com tantas possibilidades dramáticas. Ainda bem que vi.
Ambos espetáculos estão em cartaz neste final de semana.
Escrito por Márcio Américo às 12h09
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MÁRCIO AMÉRICO GO HOME
Durante algum tempo eu dizia à Renata, na época minha namorada: “tudo que eu quero é voltar pra casa”, mas eu não tinha casa, morava com meus pais, veja bem, eu não vivia com meus pais, eu morava com meus pais e todas as vezes que eu entrava por aquela porta, tarde da noite, em estados mentais e emocionais dos mais variados, mas sempre propensos à loucura e ao suicídio, lembrava de uma fala da peça Fica Frio do Bortolotto: “isso não é um lar é só uma casa”. Há oito anos me casei e pensei: agora tenho um lar, mas ainda assim continuei retardando minha volta: os bares, as ruas escuras, o desconhecido, ainda me atraíam feito canto de sereia chapada, e eu pensava “diabos, eu tenho um lar”.
Hoje, 44 anos, casado há quase nove, com um filho e longe de casa eu penso naquele espaço como um lar, lá estão as pessoas que realmente importam, pessoas pelas quais eu poderia, facilmente, fazer qualquer coisa, pessoas pelas quais eu me olho no espelho e me convenço a não me mandar pras picas.
Hoje gosto muito de ver os amigos, e aqui em São Paulo, acreditem, eles são mais numerosos, gosto de rir e de fazer piadas idiotas, de ouvir e aprender com quem tem algo a dizer, estou gostando deste novo trabalho, de conhecer pessoas que estiveram presentes na minha infância com suas músicas ou outras trabalhos, mas definitivamente, o que eu sempre desejo é voltar casa. Houve um tempo em que me deliciava com hotéis e suas possibilidades, estar sozinho naquele quarto, ar condicionado gelando geral e o controle remoto da tv nas mãos, aquilo me parecia um lar.
Há duas semanas longe de casa, morando um flat, as vezes, ao entrar, mesmo com o controle remoto nas mãos, me vem uma sensação de impotência e inadequação. Saudades. Me vejo contando as horas pra chegar o momento de estar em casa, em paz (!), simplesmente deitado na cama na companhia do Mateus e da Renata, assistindo pela milésima vez “O Bicho Vai Pegar”, insistindo com ele: Não põe o dedo na tomada! Me escondendo no aconchego da minha mulher, mesmo sabendo que, possivelmente, eu não mereça tudo isso.
Finalmente eu olho pra uma casa e não vejo uma casa, vejo um lar.
Escrito por Márcio Américo às 10h48
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Escrito por Márcio Américo às 10h28
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Texto do brother Marcelo Montenegro, um daqueles que ao final da leitura só me resta dizer: é isto!
Eu, o Mário Bortolotto e o Thales – figuraça e grande ator do grupo Armazém – passamos uma madrugada bebendo, conversando e jogando sinuca no bar do Jota em Londrina durante nossa estada no FILO. Tinha uma TV pequena num desses suportes de parede sintonizada numa luta, sei lá, de jiu-jítsu. O Thales comentou indignado que tinha assistido a uma matéria uns dias antes sobre moleques de 3, 4 anos em escolinhas de vale-tudo, competições com pais e mães orgulhosos na platéia torcendo, vibrando, filmando, batendo fotos. Contei de um aniversário de criança que fui certa vez bem na época do estouro do axé, essas merdas, com menininhas de 3, 4 anos dançando na boquinha da garrafa. Alguém botou um casco de cerveja no meio do quintal, a mesma história: mães fotografando, incentivando, “olha que gracinha”. Na Rolling Stone desse mês um dos caras do NX-Zero, respondendo a uma pergunta da repórter se eles não se incomodavam com a crítica, diz: “O Wander Wildner, por exemplo, a crítica ama, todo mundo fala bem. Aí você vai num show dele na Augusta e tem 25 pessoas no máximo”. Não lembro que jogador que um tempo atrás disse não saber e que nem precisava saber nada de 1958. Caralho. Na mesma Rolling Stone o Bukowski diz que “sempre atraía o idiota da escola. Todo mundo sabe quem é: o cara fodido e vesgo, que usava as roupas erradas e sempre pisava na merda. Eu também desprezava esse cara, mas alguma coisa sempre acontecia e ele acabava virando meu amigo”. Acontecia isso comigo. Com a diferença que eu atraía as extremidades: o mais idiota e o mais doido. Invejava um pouco a liberdade e o desprendimento deste e sentia um misto de raiva e profunda comoção com a inadequação do outro que, no fundo, era a minha. Acho que desde lá intuía que de alguma forma o mais doido em dois segundos vira um idiota e o idiota não precisa de muito esforço pra parecer o mais doido. Mas o problema sempre foi a, vamos chamar assim, normalidade. Essa que acha perfeitamente natural essa coisa assustadora de meninas e meninos dançando na boquinha da garrafa ou esmurrando o “inimiguinho” pela vitória. O grande Roberto Piva dizia isso lá atrás: entramos na época da barbárie da normalidade. O que são esses meninos que levam metralhadoras na lancheira, esse casal que atirou a filha pela janela e sua respectiva audiência, essas sub-celebridades siliconadas? Pessoas normais, que dão bom dia no elevador. O Marião comentou no atirenodramaturgo sobre o hotel 5 estrelas que estávamos em Brasília semana passada – abraço Andrezão! –, por conta da apresentação do Natimorto no Espaço Brasil Telecom. Na piscina tocava alto, altíssimo, Ivete Sangalo. Como diz o Mirisola, no entanto, “a panaquice não tem geografia”. Por exemplo: a tia da minha mulher tem uma quitinete na Praia Grande. Fomos no ano passado. Dia de semana, quase ninguém na praia, do jeito que eu gosto. Só que mesmo assim as barracas ficam tocando essas coisas num volume indecente. Gonçalo M. Tavares: “Cada povo tem direito à sua música e ao silêncio. Tem direito a decidir de que modo quer interromper o silêncio. Direito a escolher quais sons quer: que palavra e que nota musical. Mas, repara: não há silêncios populares. Como isso assusta”. Nunca vou esquecer do Chacal, numa mesa de discussão que participamos juntos, dizendo que tava pensando em criar um curso de “desqualificação profissional”. E as “tias” das categorias de base da vida como se não bastasse o massacre diário botam Xuxa e congêneres pras crianças ouvirem na escola. Na ESCOLA. Óbvio que é enorme a probabilidade de sair daí um bando de Lulinhas, Cacás, NX-Zeros, mulheres que chamam pessoas de "fofas" e toda sorte de profissionais exemplares – não importa a área – com chuteiras cor de abóbora achando que jogam mais do que jogam. Tem também a normalidade “de esquerda” e essa praga “politicamente correta”. Um bando de Arnaldos Jabores, como escreveu o Nelson Rodrigues sobre a passeata dos 100 mil, gritando “abaixo a fome chupando um sorvete de duas bolas”. Lembro quando estreou o filme dos filhos de Francisco. Numa rodinha qualquer da “intelligentsia”, uma mulher tenta me puxar pra discussão e pergunta se assisti. Falei que não e nem ia. Adivinhe o que ela disse?, lógico: preconceito. Puta, que saco. Ainda tive paciência de responder: não, minha filha, isso é CONCEITO.
Baudelaire: “o homem, isto é, cada um de nós, é tão naturalmente depravado que lhe custa menos suportar o rebaixamento universal do que estabelecer uma hierarquia justa”. Salve Wander Wildner e Maradona. Viva a meia dúzia de gatos pingados que em 80 e poucos estava comigo num show do Itamar Assumpção que mudou minha vida, pessoas que não se conformam, três camaradas batendo uma sinuca de madrugada em qualquer biboca do mundo estudando outras jogadas. Viva Tim Maia. Vale tudo o caralho.
Marcelo Montenegro é escritor, membro do grupo de teatro Cemitério de Automóveis e meu amigo(*).
Obrigado ao amigo Flavio Jacobsen pelo link, faço minhas as palavras dele.
Escrito por Márcio Américo às 13h49
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MAKING OF MENINOS DE KICHUTE

Adriana Duval e Tiago Berti em momento canastra.
Eu e o Lucas terminamos ontem a sexta versão do roteiro de Meninos de Kichute. Já vi também a foto de algumas locações, são bastante parecidas com a vila Nova da minha infância. Foram testados até agora mais de 400 meninos, entre eles já estão praticamente todos os personagens do filme, só o Beto anda escondido.
Encomendei o Álbum Brasil Pátria Amada 1974, o que tem a cara do Geisel na primeira página.
Na parede da produtora um cronograma já anuncia o dia das filmagens, as locações e personagens.

Enfim, a coisa está a todo vapor, mas há ainda muito trabalho pela frente.
Uma coisa é saber na teoria o que é fazer um firme, outra é estar dentro da produção de um, com profissionais experientes. Acho que esta parada toda pode render um livro bem legal, na linha do Hollywood do Bukowski. Mas esta é outra estória.
Escrito por Márcio Américo às 12h32
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