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EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO
“Ninguém desponta depois dos 40 anos”, assim diz o personagem da peça Aos Ossos que Tanto Doem no Inverno”, de Sérgio Melo. Espera-se que aos 40 anos você tenha deixado um rastro de tentativas, erros, acertos, que você tenha pelo menos definido o que quer da vida e conquistado algumas coisas graças a dedicação total a sua causa. Mesmo que Bukowski tenha sido publicado apenas depois dos 40, ele já estava na estrada há décadas. Digo isto porque, olhando pra trás, vejo como perdi meu tempo. Perdi tempo escrevendo muita merda pra rádios FMs, redigindo coisas desprezíveis para televisão, roteirizando idéias medíocres para propaganda e marketing, bolando campanhas esfarrapadas, tudo com um só objetivo: fazer uma grana rápida pra detonar.
Perdi muito tempo na companhia de pessoas que não tinham nada a oferecer, que só sugaram o pouco que conservei. Perdi muito tempo andando em círculos sem saber aonde chegar enquanto alguns amigos, conscientes da rota escolhida, distanciavam-se. Gastei tempo demais tentando ir pro play sem saber brincar.
Hoje me vejo aos 44 anos e já sem tanta força e disposição pra encarar os inimigos de plantão, aquele inimigo que um dia eu servi lealmente. As vezes me pega um sentimento de vazio, de ver que meu cérebro parece um amontoado de coisas inúteis, quinquilharias que adquiri com o tempo, amontoei nalgum canto e agora começam a cheirar mal.
O que fazer? Na verdade não há nada que possa me devolver o que joguei fora. Mas é possível que eu possa fazer algumas coisas pra conter o desperdício. Imagino que eu tenha que continuar no caminho escolhido, sem medir distâncias ou diferenças com outros corredores, preciso tomar cuidado, as vezes exagero em avaliações, em especial quando o avaliado sou eu, mas sei que necessito de mais dedicação, de pendurar o ego no varal e ficar de boa, se possivel apenas ouvindo, lendo, alimentar meu lado contemplativo e aproveitar o tempinho que resta, quem sabe assim, conseguirei, pelo menos, não abandonar a briga antes do gongo soar.
Escrito por Márcio Américo às 12h01
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Austegésilo Carrano em dia de protesto.
O brother Flavio Jacobsen, poeta e músico curitibano, avisa:
Faleceu nessa madrugada, nosso querido Autregésilo Carrano. O corpo está vindo de São Paulo e deve chegar em Curitiba hoje pela manhã. O enterro será no cemitério Iguaçú.
Pra quem não ligou o nome, Carrano é autor do livro autobiográfico "Canto dos Malditos", que deu origem ao filme Bicho de Sete Cabeças (Lais Bodazki). Carrano teve uma puta duma briga com a justiça do Paraná que além de proibir o livro, andou recolhendo todos que estavam nas livrarias do Estado, esta briga deve-se ao fato dele ter denunciado o esquema dos sanatórios em drogar pessoas e devolve-las imprestáveis e dependentes de internamentos.
Escrito por Márcio Américo às 21h24
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Muito bom o show na Vila Cultural. Não esperava tanta gente, muitos ficaram em pé. Mas o legal mesmo é que o público riu do começo ao fim. A apresentação serviu para eu fazer pequenas alterações, mas principalmente para meter a cara e cair de vez do gênero, no qual, confesso, eu tinha um pouco de medo.
Obrigado a todos que estiveram presentes.
Estou novamente em São Paulo trabalhando na produção (roteiro) do longa Meninos de Kichute, só volto dia 08. Assim que voltar prometo postar as fotos do evento bem como alguns trechos do show que o Silvano Brito filmou.
Escrito por Márcio Américo às 18h18
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