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Blog do Márcio Américo


Correria du caralho. Nao dá tempo nem de cuspir. O negócio é engolir.

Escrito por Márcio Américo às 18h04
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SEQÜESTRO

 

Oito e meia, acordo com o telefone tocando, ainda insone atendo Ligação a cobrar... uma voz de mulher, aliás, de um homem imitando voz de mulher,  afetando um estudado desespero falou:

_Pai, fui assaltada... estou numa casa velha... estou seqüestrada!

Afetando também preocupação paterna disse-lhe:

_ Calma, minha filha, papai tá aqui. Me deixa falar com eles.

Um pequeno e planejado silêncio, o tal seqüestrador atende num carioquês legitimo, destes que só se adquire em Bangu I e imediações:

_ ai, ela tá seqüestrada, queremos 30 mil reais!

_ 30 mil... mas ela tá bem... ela está grávida... não aconteceu nada com o bebê?

_ Não, por enquanto ela e o bebê tão bem, mas se você não me mandar os 30 mil hoje... ela morre. Não avisa a policia nem a imprensa...

_ 30 mil? Olha eu não tenho... te dou 10!

_ 10 mil?

_ 10 reais... em vale transporte!

_ O que????

_ meu senhor, desculpe falar, não deixe minha filha ouvir, mas esta menina não tem o segundo grau, não tem habilidades profissionais... ela não vale 30 mil...

_ eu mato ela, eu mato ela!

_você é quem sabe... 10 reais, é pegar ou largar!

_ ta me tirando?

_ vou ser sincero, eu não tenho como te pagar mais que 10 reais, estou pagando as prestações de um seqüestro que adquiri em janeiro... faltam 3 prestações ainda... de modo que...

_ eu vou matar... mata ela...

_ pelo amor de deus...

_ o que foi?

_ pelo amor de deus, se vocês matarem ela...

_ o que é que tem?

_ sumam com o corpo, eu não tenho como fazer um funeral... é muito dispendioso e ela é muito exigente pra estas coisas... vai querer esquife da Hello Kitty!

_ mata ela mata ela...

_ tá bom... te dou 15 reais, nem um centavo a mais!

_ tut tut tut tut tut tut

Sempre achei que este golpe do falso seqüestro só funcionasse no Rio de Janeiro, mas parece que os caras estão desesperados. Se acontecer com você, cheque primeiro as informações, uma dica: Nunca diga o nome da pessoa que supostamente esta seqüestrada, e para descobrir a veracidade das informações diga algo do tipo:

_ meu deus, vocês derrubaram ele da cadeira de rodas? Ele tá no chão?

Ou

_ Jesus! (afaste o telefone)Adalto vc deixou ele ir sozinho pra escola... sera que você esquece que nosso filho é cego! Cego! Olha ai, seqüestraram ele!(ao telefone) moço... como ele tá com  a bengala dele... ele precisa da bengala...

Certificado tratar-se de um falso, desligue. Se achar conveniente diga algo como:

_ seqüestro? Não obrigado, já temos, fica pra outro dia. (desligue).

 

 



Escrito por Márcio Américo às 15h48
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O TIGRE E A NEVE



A vida pode ser bonita, não importam as adversidades que apareçam, não importa que a chuva de granizo insista em foder com a paisagem bucólica. Esta parece ser a mensagem de Roberto Benigni em seu principal filme A Vida é Bela (1997). Há sujeitos falando mal deste filme, acusando Benigni de ser hipócrita ao narrar o holocausto como uma grande gincana. Acho que o grande acerto foi justamente este, invés de cair no lugar comum de chorar as pitangas por aquele momento histórico em que deus resolveu tirar um chochillo, o diretor italiano mostra que mesmo no inferno é possivel sonhar.
Em seu mais novo filme, O Tigre e a Neve(2007), ele retoma a temática. Agora ele encarna um professor de literatura, Attilio (Attilio de Giovanni tem este nome como homenagem a Attilio Bertolucci, pai dos diretores Bernardo e Giuseppe Bertolucci), o mesmo personagem atrapalhado e com ares parnasianos de A Vida e Bela, uma persona que adequa-se perfeitamente ao seu biotipo, algo como o que acontece com os personagens de Woody allen. Attilio tem uma grande paixão não correspondida, com a qual tem sonhos super fantásticos embalados por Tom Waits em pessoa. Em O Tigre… seu objeto de paixão é interpretado por Risoleta Baschi (sua esposa), a mesma que em Down By Low protagonizou com ele aquela dança ao som de Irma Thomas: Its raining.
A Guerra esta novamente presente, desta vez o Iraque. O pobre professor apaixonado se vê obrigado e a transitar por um pais devastado pela insanidade americana a procura de escassos medicamentos para salvar sua amada, vitima de uma explosão. Para sobreviver e alcançar seus objetivos Attilio conta com a sorte, a esperteza e a ajuda do poeta iraquiano Fuad interpretado por Jean Reno. O filme é belissimo, os takes dos sonhos são de uma sofisticação estética deliciosa, a presença de Tom Waits cantando ao piano You Can Never Hold Back Spring, por si já é uma obra prima.



Em um dos momentos, para mim, mais bonitos do filme, ele explica porque tornou-se poeta. O personagem conta que um dia, na infância, um passarinho pousou em seu ombro e ficou ali por alguns instantes, ele, extasiado pela experiência, tenta contar para a mãe, mas suas palavras não são suficientes para descrever o que sentiu e a mãe comenta apenas: ah! Pensei que fosse coisa importante.
Então ele diz:
_naquele momento pensei: sera que no mundo existe uma profissão de achar palavras certas para junta-las de uma forma que faça o coração dos outros bater mais forte? Naquele dia decidi que seria poeta.
Num mundo em que se discute formas precisas e funcionais de educar filhos, Benigni nos dá uma grande exemplo de como isto pode ser extremamente simples, em uma das cenas ele leva as filhas ao circo (fora do horário de espetáculos) e em outra ele fala sobre o medo e as palavras. Brilhante e terno sem ser piegas.
Sei que muita gente anda torce o nariz pra Roberto Benigni, acham-no insosso, sem carisma, superficial. Não concordo. Benigni tem uma coisa que é o carisma pelo avesso e, principalmente, aquela vivacidade, aquele brilho de quem sabe ser urgente viver, apreciar cada momento, procurar, se preciso, abrigo na fantasia. Parece-me uma forma de driblar o destino, de chutar longe estes malditos dados que deus insiste em jogar com seu adversário predileto. Nao estou falando de alienação ou algo assim, apenas não temos que sofrer o tempo todo.









Escrito por Márcio Américo às 20h23
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SER  PAI  É  FATHER


 


 


Mateus localizou meus apretrechos de teatro. 


 


Enquanto o Mateus ainda estava na nave mãe em sua vigem gestacional, eu me perguntava: o que é ser pai? Mesmo ao vê-lo ali, chorando, naquele berçário da maternidade, ainda me perguntava: o que é ser pai?


Hoje não sei te dar uma resposta objetiva, algo que possa constar em algum verbete etimológico, mas posso dizer que descobri algumas coisas sobre paternidade. Descobri como é bonito vê-lo simplesmente dormindo enquanto o balanço nos braços, ouvir seu ronronar, sentir o cheiro de leite misturado ao seu próprio cheiro inconfundível, como é indescritível faze-lo rir, dar gargalhadas com algo que eu não vejo graça. Acabei descobrindo que ele tem critérios muito específicos sobre o que é engraçado ou não, aí que me pego as vezes repetindo infinitamente uma palavra qualquer, um gesto, uma onomatopéia sem sentido só porque ele ri, gargalha. Não há como descrever o orgulho, o prazer de vê-lo tentando dar seus primeiros passos? e como falar de minha auto estima lá nas nuvens quando ele me vê e abre um sorriso sincero, feliz em me ver e então estende os braços em minha direção? ou quando, falsamente assustado, ele “corre” e me abraça?... como explicar pra você o desconcerto que é ele me olhando nos olhos? sim, porque quando um bebê de 11 meses te olha nos olhos, ele não tem nada a esconder, ele não tá jogando, não tá te encarando, ele tá te vendo, e eu, com meu armário de culpas lotado, com pecados amontoados pelos cantos, as vezes penso em desviar o olhar. Ser pai talvez seja  não sentir-se emputecido de ter que levantar-se 10 vezes durante a noite porque o bebê chora, e então,  tocar-lhe instintivamente a testa: está quente. Milhões de coisas passam pela cabeça enquanto tento fazer baixar a febre: homens, deus, medicina, justiça, o paraíso perdido, o tempo perdido, o futuro, ele...


Só mesmo a paternidade para explicar uma anunciada explosão de ódio engolida e, em milésimos de segundos, transformada em contemplação, ao ve-lo arrastando pelo chão aquele meu DVD do Blow Up, mutilando sem piedade o finado Antonioni . Foda-se o Antonioni.


Ainda não sei o que é ser pai, mas sei do prazer que é apenas ver o Mateus vivo. Há momentos em que chego ao berço, ele está imóvel, dormindo, mas mesmo assim checo sua respiração, fixo os olhos em seus pulmões: movimentam-se. Respiro aliviado. Parece que de uma hora, eu que sempre me orgulhei de não ter nada a perder,  agora tenho muito a perder. Não sei o que é ser pai. Desconheço uma definição, alias, nem vou arriscar alguma. Mas sei o que é conviver com um menino de onze meses chamado Mateus Bergamo Alves. Por enquanto ele é o meu filho, espero que um dia ele possa dizer que sou seu Pai.


 



 


 


1 - Domingo no parque


2- Mateus finalizando este post


3- Ele ganhou este violãozinho dos meus pais e o dedilha como se fosse um virtuose (ah! ser pai é também exagerar os  dotes do filho...).


4 - Renata acompanhando-o em sua primeira visita ao cabeleireiro (no meu tempo chamava-se  barbeiro).


 


Preciso dar crédito das fotos?: pai e mãe.


 



Escrito por Márcio Américo às 13h06
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O brother Caio me mandou o nome da cantora que embala a dança romântica de Roberto Benigne em Down By Low, trata-se de Irma Thomas, uma garota que parece ser o orgulho de New Orleans. Se voce ainda nao viu o filme, confira a doçura desta mulher cantando a tal musica: It's raining, basta clicar AQUI

Escrito por Márcio Américo às 08h40
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