Ontem estive no Parque de Exposições do Anhembi visitando a Bienal do Livro. Na entrada já fico sabendo que tenho que morrer com 20 reais de estacionamento, na sequência mais 10 pilas pra entrar na feira.
_ O senhor é do ramo?
_ Como assim, do ramo?
_ é professor, escritor...
_ sou escritor.
_ tem como provar?
_ se você digitar meu nome do Google você vai ver que tenho 3 livros publicados, tá não são muitos, mas e ainda assim são meus.
_ a gente não tem computador aqui.
_ a Bienal do Livro não tem um computador?_ Não tem. O senhor deveria ter trazido o livro.
_ Eu entrei no site da Bienal e não falava nada disto. Se eu fosselegista teria de trazer o que? Um cadáver?
_ Volte amanha com os livros que eu libero o senhor.
Paguei os 10 reais pra entrar (mais 20 de estacionamento). Não tinha praticamente ninguém na feira. Um puta incentivo pros novos leitores, eles querem que o sujeito saia de casa, em são Paulo isto jê é um evento a parte, então gaste 30 reais por cabeça para poder entrar na feira, isto é , ele paga para poder comprar. Num país onde a média de leitores está muito abaixo do esperado para um país dito em desenvolvimento, cobrar 30 reais para seduzir um leitor é no mínimo burrice.O que eles querem com isto? Um mercado editorial aquecido? O que eles terão e parece compactua é comum mercado editorial abarrotado de títulos óbvios, já testados, “domínios públicos”...
Além dos 30 mangos, ainda morri com 63 reais pra adquirir dois Bukowski: Ao Sul de Lugar Nenhum e O amor é um Cão dos Infernos. Nesta parada quem saiu ganhando foi o Mateus que ganhou do Luca dois livros infantis. Infelizmente, quando cheguei, o Netinho já havia saído. Não era o meu dia.
No dia do escritor meu brother Marcão Kareca fez uma matéria legal
na Vila Cultural Cemitério de Automóveis. Foi uma noite legal, estávamos ali pra
ler alguns poemas publicados na Coyote. Lembro-me que estavam lá o Marquinhos
Losnak, Mauricio Arruda Mendonça, Chris Vianna... e foi uma noite pra lá de
agradável.Mas aí ele entrou numas de fazer a entrevista com um escritor e acabou
sobrando pra mim, deu no que deu.
STAND-UP Finalmente o vídeo da minha
apresentação em São Paulo. Apesar do video não mostrar, o bar tava lotado. Nesta
noite participaram cinco comediantes, o próprio Márcio Ribeiro que, alem de
apresentar o show, tem seu próprio número. O encerramento ficou por conta do
Geraldo Magela, o ceguinho da Escolinha do Prof. Raimundo. Se voce tiver
problemas em ver por aqui, clique aqui e veja direto na página do Youtube.
Valeu
Fui ver a estréia paulistana do filme NOSSA VIDA NÃO CABE NUM OPALA, adaptação da peça NOSSA VIDA NÃO VALE UM CHEVROLET, do Mário Bortolotto.
O que vi na verdade foram dois filmes, um meio capenga, com frases óbvias, clichês mexicanos, e outro foi um filme vigoroso, com diálogos inteligentes e bem humorados. O personagem do Jonas Bloch, Gomes, (no texto original chamava-se Guto) destila um porrilhão de clichês, parece um tipo de almanaque ambulante, enfim um enxerto de péssimo gosto. As cenas da personagem Silvia, em razão da montagem e direção, perderam o efeito solitário, o abandono da personagem, além de terem ficado muito longas. Vendo o filme dá pra entendo melhor e me solidarizo com Mário Bortolotto, em todas as oportunidades em que fugiu-se da trama original e da originalidade dos personagens, ou qualquer outra invencionisse do Di Moreti, o filme perdeu ritmo e as personagens credibilidade. Pergunto ao roteirista: se todas cenas com os diálogos originais funcionaram, porque inventar?
Entre os atores destaco o trampo da Maria Manoella (Manu), Gabriel Pinheiro, Milhen Cortaz que rouba a maioria das cenas e do carinha que faz o Love (personagem que ficou sem uma apresentação decente).Não preciso falar aqui da Marília Pera, Paulo Cesar Pereio e Dercy Gonçalves, eles estavam ali para emprestar o brilho ao filme.
A trilha sonora (Bortolotto & Amalfi) é um caso a parte, não é atoa que já foi premiada.
Pra mim, salvo estas bobagens que foram inseridas no filme sem nenhuma necessidade, que se tornaram um ruido, trata-se de um filme bem feito, bem acabado, que busca pequenas e bem-vindas inovações estéticas. Antes de ir embora, falei pro Reinaldo Pinheiro (diretor) dacoragem dele em adaptar pro cinema uma dramaturgia tão específica quanto a do Bortolotto. Pinheiro foi o primeiro, outros estão a caminho, outros virão.
Depois do filme rolou show com a “banda do Mário” e na sequência fomos pro Amistosas pra uma noite de bluese bom papo com amigos. Antes de ir embora caí na besteira de comer um mocotó na Augusta, eram 2 da manhã. Perdi a metade do dia seguinte vomitando as tripas. São Paulo é foda.
Não sei se já falei aqui, mas sou depressivo crônico. Mês sim, mês não, lá vem ela, calmamente e instala-se no meu cérebro dando ordens aos neurotransmissores, um verdadeiro ataque terrorista. O resultado é eu ter pelo menos um dia de total depressão. Um daqueles dias em que não há como dizer: Bom dia!
É neste momento que vejo o planeta como ele realmente é, um amontoado de coisas sem sentido, um desfile de efemérides que buscam burlar o tédio e o absurdo da coisa.
Pessoas buscando medalhas de ouro, uma mulher morta por uma linha de cerol, um policial é assassinado por um menor que é assassinado pelo policial, enterros de celebridades, novas marcas de cerveja, programas de tv desafiando cada neurônio para uma guerra sem fim... Nada disto me diz coisa alguma. Procuro consolo nos blogs dos amigos. Depressão mensal. Uma espécie de menstruação neuronal.
O que salva? A cena. Meu filho na escolinha. Paro a carro e lá vem ele, sendo conduzido por uma “tia”, tia Renata. Ironias. Ele me estende a mão, obedecendo a um comando prévio, me entrega um presente e um cartão: papai te amo. A digitalzinha dele assinando a mensagem. Não me emociono. Depressão mensal. Desconfio de gestos estudados. Domingo em família. Meus pais, os pais da Renata, os pais do Mateus. Ele me entrega presentes. Não há surpresa. Exijo demais do ser humano. Abraço meu filho. É sincero. Ele sorri, é sincero. Beijo meu filho e ele reage. É sincero. Depressão acusa perda de terreno. Renata prepara um puta almoço, trampo total. Almoço em família. Depressão diminui. Mateus não quer dormir, não quer desperdiçar seu “todo tempo do mundo” dormindo. Não tenho tanto tempo assim. Depressão. Olho o Mateus, olho meu pai, não consigo abraça-lo, há um muro bem maior que a muralha da china em volta deste gesto, não há o desejo. Infância de distanciamento. Depressãozinha anacrônica. Estou mudando o curso de minha geração. Pai e filho brincam, abraçam-se, beijam-se. Depressão a zero.
Segunda feira, compromissos finais em Londrina, deixo Mateus na escolinha. Ele chora, me olha: Porque? Saio de cabeça baixo, enojado com a covardia do gesto imposto por um modo de vida que premia o abandono. Depressão volta em tropel. Não há muito que fazer. Escrever parece aliviar, mas nem sempre me sinto apto a faze-lo. Depressão falando alto. Amanhã terá ido embora e então voltarei, com algumas crenças piscando, uma disposição ensaiada e engolindo absurdos diários. Tenham um bom dia.
Agradeço aos amigos que estiveram no MR. Blues na minha estréia de stand up em São Paulo. Pra minha sorte o local tava lotado e haviam cinco mediantes revezando-se no palco, fui o quarto. Geraldo Magela, o ceguinho da Escolinha, encerrou o evento. Assim que tiver o video em mãos vou postar aqui pra voce ver. Gostei pra caramba. Comentava com a Fernanda D'Umbra que o que senti em cena foi: meu lugar é aqui. Ela me disse que, no mesmo dia, teve este insight em cena durante ensaio da peça Nossa Vida Não Vale um Chevrolet.
Ao final da minha apresentação o comentário do anfitrião da noite, o comediante Márcio Ribeiro comentou: Este oi o melhor open mic que eu já vi! Vindo dele o que mais posso dizer?
Foram apenas cinco dias dando uma oficina para os meninos de kichute, 18 atores mirins selecionados entre agências, bairros, escolas...
Hámuito tempo não tinha um contato assim tão intenso com garotos de 8 a 13 anos, minhas relações estao sempre pelo menos duas décadas acima disto.
Entre discussões, risos, surpresas, o resultado final foi a sensação de perda quando hoje, as 17 horas, me despedi deles, foi o último dia da oficina.
Olhei cada garoto daquele indo embora, oferecendo a mão num cumprimento que não é meu, e eu ali, com aquele buraco metido no meio do estômago, como daquela vez quando, aos sete anos, vi pela primeira vez uma revista de mulher nua, ou quando, pela primeira vez falei em público.
Dificil nao me emocionar olhando aqueles meninos e vendo neles um pedaço da minha infância, cada um deles me trazendo um pedacinho dela, como num quebra-cabeça gigante e vivo.
Agora o espaço tá vazio, aliás, nem tão vazio assim, a bagunça, a sujeira, o caos que eles deixaram denunciam a presença deles.
Obrigado garotos.
Dizem por aí que meninos não choram... já os velhos...
Nesta sexta dia 01 de agosto faço minha estréia de stand up em São Paulo. Vou participar de um open mike no BLUES BAR. Sào apenas três minutos, mas, porra, já é um começo. Espero que meus amigos aqui em Sampa possam comparecer. Valeu.
Mr blues. Av. São Gabriel, 558 - Itaim Bibi - Informações e Reservas: (011) 3884-5255 - RESERVAS PELO SITE: www.mrblues.com.br - CONTATO E INFO POR EMAIL: improriso@gmail.com. Toda sexta 4 humoristas vão se revezar no ImproRisoe mais um convidado no Open Mike. Entre eles, Márcio Ribeiro, Bruno Motta, Daniela Calabresa, Danilo Gentili, Marcela Leal, Luís França, Fábio Rabin, Murilo Gun, Nany People, Felipe Absalão, Marcos Castro, Henrique Fedorowicz, Ben Ludmer, Fábio Lins, Léo Lins e muitos outros!
Ja estou em sampa há uma semana. Dias destes pensava com meus botões que quando estou em Londrina, quase nao saio de casa, cheguei a pensar que estava me tornando uma especie de ermitão, mas não, trata-se apenas de aridez de opções. Nestes dois meses em sao paulo ja vi uma porção de espetaculos e shows: Tape, Natimorto, A Noite dos Palhaços Mudos, A Vaca do Nariz Sutil, 120 dias de Sodoma, Ele Não é Meu Filho, Os Ossos que Tanto Doem no Inverno, A Festa de Abigaiu, Prêt-a- Porter, A Megera Domada, além dos stand ups do Bar blue e NOcaute com o grande Marcelo Mansfield... Sim existe vida inteligente no teatro brasileiro, é só uma questão de ajustar a bússola.
Ontem estive com o Nelsinho Peres, a mais recente "aquisição"do filme Meninos de Kichute, o Nelsinho topou fazer uma participação especial.
Dia de voltar pra casa. Aliás, esta tem sido umas das poucas certezas que tenho: vou voltar pra casa.
O Mateus vai passar por uma cirurgia, retirada de “carne esponjosa” do nariz. Dizem ser uma cirurgia simples. Nenhuma é cirurgia é simples quando envolve anestesia geral.
Preocupações de pai.
Semana produtiva. Eu e a atriz/produtora Dri Duval estivemos a caça de automóveis de época (anos 70) e foi muito divertido. Tive a oportunidade de sentar-me ao volante de um dkw taxi (com taximetro em cruzeiros), confesso que voltei uns 40 anos no tempo, parecia que eu estava lá na vila nova, com apenas 7 anos, brincando com os comandos do dkw enquanto meu pai crtia seu sono pós-almoço. Conheci um outro famoso colecionador de carros em Sao Paulo, o cara tem, entre dezenas de carros, um Rolls Royce, daqueles antigões. Conheci também o Farias, presidente do clube V8, os caras só curtem Dodge (exceto Polara). Ele me dizia que dirigiu um Dodge que foi do famigerado delegado Fleury: "dirigia sem olhar no retrovisor", disse ele.
Não entendo vegetarianos, primeiro que eles são pretensiosos, pensam que sem sua ajuda os animais do planeta vão desaparecer. Eu pergunto: foram os humanos que comeram os dinossauros? Era carne pra caralho, imagine uma picanha de dinossauro, uma costela de mamute. Um dinossauro daria uns 20 milhões de big mac!Quem os vegetarianos acham que dizimou os dinossauros? Os Flintstones? Eles desapareceram sozinhos, ninguém comeu.
E os animais? Vocês acham que os animais serão gratos aos vegetarianos? Solta um vegetariano na jaula de leões famintos:
_ Porra, tu não vai comer o cara não?
_ qué isso, o cara é vegetariano, deixa ele ai...
_ Vai esfriar...
Aliás, os vegetarianos estão sozinhos nesta coisa de poupar as espécies, de ser solidário com a dor das espécies, sim, porque os animais carnívoros ou hematófagos, estão cagando... Já viu pernilongo vegetariano?
_ Companheiros, chega de ficar sugando estes pobres humanos, tem pernilongo sugando bebezinhos indefesos, chega, a partir de hoje vamos de Kuat!
_ Quero o meu com gelo e uma rodela de laranja!
Aliás, os animais não se acertam nem entre eles. Soltemos todos os bois na natureza, eles serão preservados? Vão se livrar da morte? De virar comida? O caralho! Na verdade os vegetarianos são uns puta sádicos, tão querendo entregar nossos bois nas mãos das onças famintas, para serem dilacerados... Este animais, não os vegetarianos, os bois, serão mortos por métodos bem menos ortodoxos, eles serão comidos, vivos, dilacerados, rasgados, fatiados por garras afiadas, deixarão órfãos, viúvas, projetos não terminados, a página no orkut vazia, cheia de scraaps de amigos... Não! Deixa com a gente... vocês acham que a onça vai criar boi, vai organizar feiras pra melhorar a genética, acham que uma onça vai transportar boi em caminhões com direção hidráulica e GPS, vão dar pra eles uma medalha? Não dá pra confiar em onça, vejam bem, a maioria habita os estados de Mato Grosso e Goiás, vocês já viram algum caso de uma onça comer uma dupla sertaneja, uma só?
Se dependesse dos vegetarianos onde estaria o boi Bandido? Ele perderia a sua grande chance na novela das oito? Tá tudo bem, ele teve que contracenar com o Mateus Naschtergaele, mas a fama tem seu preço. De dois em dois dias, ele faz o casco, isto é, um veterinário lixa suas patas e aplica nelas uma solução de iodo, e sua dieta é formada por 30 quilos de silagem, à base de milho, misturada com sete quilos de ração diariamente, algum vegetariano vai fazer isto? O caralho, eles não fariam nada disto, o boi bandido já teria sido comido, pela metade, sobrariam os ossos e vísceras pros urubus, um desperdício, dá pra usar aquilo como ração pra alimentar os presos ou alunos das escolas públicas. Então pra que?
Porque os vegetarianos não se importam com a raposa que come galinha? Com a onça que come o boi e o porco? Eles estão mais do lado da onça do que dos humanos, é isso, vegetarianos são uns amigos da onça. Onça é o bicho mais sem graça, alias, só tem graça quando vira estampa de calcinha.
Os vegetarianos ignoram a cadeia alimentar, ou seja, o gato come o rato, o leão come os cervos, lula come tucano, o morcego é comido pelos... quem é o predador natural do morcego?Quem come o morcego? O Robin, claro.
E o vegetais não tem vida? Eles, os vegetarianos, não têm pena de uma alface, de uma pobre beterraba... já não basta passar a vida toda embaixo da terra, quando sobe pra respirar ar puro, ver o mundo, conhecer São Paulo vem um vegetariano e come:
_ onde você pensa que vai beterraba?
Eles alegam que os vegetais morrem sem sentir dor. Porra, o problema é este, dá uma anestesia no boi e pronto.
Eles vão acabar sendo amaldiçoados e se verão obrigados a comer a mulher melancia. Bem feito.
Já perceberam que todo vegetariano mora com um gato... um desperdício, com tanta gente passando fome por aí.
Não gosto de gente mesquinha. Mas tenho sempre um pouco das coisas que detesto, talvez por isto as deteste tanto. Detesto burrice, talvez por ter surtos diários de burrice. Detesto hipocrisia, talvez por ter surtos mensais de, detesto coisas que estão em mim.
Dia destes encontro o escritor Marcelo Mirisola e ele me fala sobre uma entrevista concedida ao site de literatura Cronopios, e na correira (isto é uma boa desculpa), no semtempismo maluco acabei nem assistindo as entrevistas que estão divididas em cinco blocos, eu apenas linkeitudo aqui com a indicação: ele fala do meu livro...
Hoje entre finalmente lá e assisti todas as entrevistas e me dei conta de como fui mesquinho. A entrevista é du caralho, pra mim uma verdadeira aula de como sobreviver num pais medíocre sem abrir as pernas, dicas muito boas de literatura, vi o Marcelo, pela primeira vez (pra mim), desnudando-se, entregando seus pontos fracos (os fortes conhecemos), o início de tudo, as influências, os festivais, os autores badalados, tudo com muito humor, profundidade, doses salvadoras de ironia. Ao final da entrevista me fica uma saudável inveja de um sujeito que poderia ser o que quisesse, que poderia estar enfiado num duplex com filhos e um cachorro, mas que preferiu o caminho torto das letras e sobrevive delas e com elas. Um sujeito que descobriu uma forma única de escrever, de levar o leitor pra onde ele deseja, nem pra isto tenha que armar ratoeiras ao longo do trajeto.
Se você nem mesmo sabe sobre o livro meninos de kichute, ou se sabe, não importa, apenas entre lá e veja a entrevista, é du caralho.