Estou há quase dois anos em sao Paulo. Vim pra cá em fevereiro do ano passado para trabalhar no roteiro, acabei ficando e estou até hoje. Semana que vem, dia 25, vou embora em definitivo. Fecho a conta no hotel, pago minhas parcas dívidas: Parlapatoes e Bactéria e vou pra casa. Muitas coisas boas acontecerem enquanto estive aqui, fiz novos amigos, fortaleci amizades mais antigas, trabalhei... Mas, houve uma perda enorme, fiquei longe do Mateus. Neste tempo ele mudou, esta mais alto, mais magro e fala de tudo. Esta ausência, as despedidas dolorosas, o Mateus chorando na entrada do aeroporto, tudo isto me fez pensar em desistir, pensar se vale realmente a pena abrir mão. Este tempo que fiquei longe dele não dá pra resgatar, posso apenas tentar compensar. Mas, acho que pelo menos posso ter uma segunda chance, senão com o Mateus, com meu próximo filho(a). A Renata tá grávida. Minha segunda chance para aprender a ser mais paciente, a não gritar, a não tripudiar, a dedicar mais tempo. Equilibrio e paternidade são duas coisas a principio incompatíveis, mas essenciais.
E minha ultima semana em são Paulo começa com trabalho, óbvio, hoje a noite, a partir das 22 horas, no Inflamável Teatro e Bar, rua Maria Borba, 87 – prox. Ao Mackenzie, apresento stand up comedy com os comediantes Herculles Moreno, Alexandre Jabali e Marcio Reiff.
A vida continua, já penso em dias de sol e um bebê dormindo no quarto ao lado.
Finalmente alguém conseguiu sintetizar num texto, tudo que realmente é o movimento neo-pentencostal no Brasil. O texto do escritor e amigo Marcelo Mirisola é tão esclarecedor que deveria ser objeto de estudo no vestibular, talvez começando pela "Unibambi". O texto é matador, nao fica fraude sobre fraude.
Sabado fiz mais uma apresentação no Teatro Folha, desta vez consegui chegar a um texto sobre maconha que achei legal. Misturei um pouco do que já fazia no texto sobre drogas e acrescentei coisas novas. Dá pra melhorar. sempre dá.
Estou em Londrina, muito bom rever e ficar com a Renata e o Mateus.
Há tempos eu não participava de algo tão legal, tao vivo. Acho que desde 1988, quando participei da produção da primeira Mostra Latino Americana de teatro de londrina. Não consegui ver muitas peças, mas o que vi, praticamente tudo, valeu a pena. Senti muito ter perdido alguns que gostaria muito de ver, como por exemplo oMonólogo da Velha Apresentadora, do meu amigo Marcelo Mirisola. Never More.
A tenda dos Milagres como ficou conhecida a tenda do Mario Bortolotto (que organizou a programação de sábado) foi du caralho. Show com as bandas Fabrica de Animais e Saco de Ratos, peças e o fantástico stand up tragedy com a Lulu Pavarin dando show e as surpresas da noite: Carlos Carcarah e Cabeça, aliás, o Cabeça, ao final da noite, fez um show memorável praqueles 9 ou 10 caras que insistiram em ficar.
NO ultimo dia assisti junto com a amiga Lulu o São Paulo Fashion Clown, com a presença da trupe do Parlapatões, com Hugo Possolo como mestre de cerimônia, comentários de Sheila (Luis Miranda) e participação especial dos Doutores da Alegria. O tombaço do Hugo já valeira a pena, mas teve muito mais. Quem foi curtiu pra caralho.
O mais foda do racismo é proteger-se do bombardeio de imagens que levam ao racismo. Desde criança vejo negros como escravos, empregadas, motoristas, presidiários, vilões, e os brancos como herois que salvam o mundo. Na infância meus herois eram todos brancos de olhos azuis: tarzan, flashgordon, o gordo e o magro, superman, batman, national kid, rin tin tin... acho que o unico heroi nao branco era o Hulk. O resultado disso tudo é no mínimo um olhar diferente. O video abaixo explica melhor isto tudo:
Claro que estas crianças só tem este comportamento porque já absorveram mensagens subliminares racistas, uma criança mais nova, 2 ou 3 anos nao teria este comportamento.
Desde que comecei minha carreira em teatro nao fiz nenhuma apresentaçao em prol de alguma entidade. Na verdade já havia pensado muito a respeito, de fazer alguma coisa assim, de "pagar" a minha parcela de culpa com minha principal moeda: trabalho. Semana passada pintou a chance de faze-lo. Eu e o ator e comediante Fernando Borghi fomos convidados a colaborar em um evento solidário. Estaremos nos apresentando no Lond'updo, uma noite de humor em prol Hospital do Cancer de Londrina. Portando, se voce também tá a fim de dar uma desbastada na velha culpa, apareça, vai te fazer um bem danado.
Conheci a Martha Nowill há apenas dois anos, quando ela foi selecionada para fazer a "Jacira" no longa Meninos de Kichute. Hoje parece que faz muito mais que isso. Além de atriz disciplinadíssima e caristmática, tem um puta talento como produtora e tem sido uma amiga de verdade.
Martha está produzindo um novo espetáculo, texto do Carlos Galhardo: Meninas da Loja, direçao de Fernanda D'Umbra. Alguns atores/produtores de sao paulo já se tocaram que esperar fomento/incentivo, dinheiro púbico de qualquer natureza é sempre muito doloroso: expectativa, ilusões, decepção, entao estas pessoas passaram a criar recursos através de promoçoes. As Meninias da Loja - a festa, é um destes recursos. A exemplo do que foi feito com a peça Brutal (Mário Bortolotto), esta também tem um objetivo nobre, além de reunir amigos, arrecadar fundos para a produçao do espetáculo.
Vá! COMPRE, o ingresso (15 e 20 reais) , and have a good time.
ALEM DE TUDO, HOJE É ANIVERSÁRIO DA MARTHA: PARABENS!
No set: Nilton Bicudo, eu e Martha Nowill.
MENINAS DA LOJA - A FESTA
- Studio SP - Rua Augusta, 591 - Centro - às 22 horas
Conheci a Martha Nowill há apenas dois anos, quando ela foi selecionada para fazer a "Jacira" no longa Meninos de Kichute. Hoje parece que faz muito mais que isso. Além de atriz disciplinadíssima e caristmática, tem um puta talento como produtora e tem sido uma amiga de verdade.
Martha está produzindo um novo espetáculo, texto do Carlos Galhardo: Meninas da Loja. Alguns atores/produtores de sao paulo já se tocaram que esperar fomento/incentivo, dinheiro púbico de qualquer natureza é sempre muito dolorosa: expectativa, ilusões, decepção, entao estas pessoas passaram a criar recursos através de promoçoes. As Meninias da Loja - a festa, é um destes recursos. A exemplo do que foi feito com a peça Brutal (Mário Bortolotto), esta também tem um objetivo nobre, além de reunir amigos: arrecadar fundos para a produçao do espetáculo.
Vá! COMPRE, o ingresso (15 e 20 reais) , an have a good time.
MENINAS DA LOJA - A FESTA
- Studio SP - Rua Augusta, 591 - Centro - às 22 horas
Tudo pode ter começado como uma brincadeira. Fim de churrasco. Amigos bêbados. Alguém começa a brincar com o litro de querosene, talvez apenas respingue gotículas no amigo chato, os outros gostam da brincadeira, e atiram mais algumas gotas, então, de repente, cria-se um pequeno método: se rir vai levar querosene. Logo haverá um deles encharcado. Brasas na churrasqueira. Alguém manuseará um ameaçador isqueiro. Já sente-se cheiro de carne humana queimada. A intolerância me parece seguir este mesmo trajeto. Tudo começa como uma brincadeira, como uma coisa que parece legal, que alivia a tensão. O espetáculo Brutal do meu amigo Mário Bortolotto narra com perícia esta trajetória. Um sujeito com grana e sem nenhum ideal na vida encabeça uma sub-seita, arrebanha pessoas, cria normas de convívio, de (a)moralidade, até que a intolerância, feito querosene, começa a espalhar-se por ali, o incêndio vem, e vem de uma forma brutal.
O espetáculo é construído de forma a não desviar teu foco do que está acontecendo. Há uma música, um troço que parece te pegar pelo colarinho e te dizer: Escuta Zé! Tudo é mínimo pra maximizar a informação. Não há blags, o riso é do tipo sardônico. Quanto ao time de atores... bem.... não vou cair na ratoeira inventada por algum critico de teatro que procura “destacar” o trabalho de tal ator. O que se vê em cena é um grupo coeso, cada ator trazendo muito de si, dando tudo, exaustos ao final da apresentação. Teatro é coletivo.
Brutal mostra como tudo pode começar como uma boa idéia pra salvar a humanidade, uma coisa simples, algo como: ama teu próximo como a ti mesmo. A frase é sinérgica. Atrai pessoas. Mas logo os cabeças começam a notar insatisfação, seus membros simplesmente não conseguem “amar ao próximo como a eles mesmos”, eles então dão o próximo passo, criar regras a fim de que, se não podemos amar ao próximo como a nós mesmos, poderemos pelo menos saber a quem odiar. Faz-se então uma lista de pessoas a serem odiadas: aqueles que comem carne em determinados dias, as que abortam, aqueles que não cortam a pele em volta do pau, os que aceitam transfusão de sangue, os que dão a bunda, que chupam pau, que cometem adultério. Pronto. Eu não consigo amar ao próximo, mas isto já é coisa do passado, o que importa agora é exterminar com aqueles que não aceitaram o código. O código é o fogo. Mas o código é frouxo também. Assassinar com uma arma é perdoável, mas assassinar um embrião sem nome nem CPF é passível de fogueira. Botar o pau na boca de uma criança de 10 anos, ejacular em sua cara, é uma coisa muito feia, mas sair por ai dando a bunda pra qualquer um de forma se possa te rotular de “gay”, aí o bicho pega: Fogueira. Se você se envolve numa pesquisa para a fabricação de novos armamentos para exterminar a raça humana, tá tudo certo, mas se vocês fizer pesquisa com células tronco para salvar a humanidade: a fogueira te espera. Mas o código pode ir além, e o código nem precisa apresentar a lei por escrito, ela é apenas sussurada de um ouvido ao outro: negros, asiáticos, russos precisam morrer. Assim funciona a intolerância. A intolerância nossa de cada dia.
Se você ainda acha que é possível ser inocente, talvez você não veja, mas tenha nas mãos um fósforo aceso. Brutal pode ser um sopro na direção da chama.
BRUTAL
Texto e Direçao Mário Bortolotto
Elenco:Estevão, Manuela, Lu Caruso, Martha Nowil,Walter Figueiredo
Terça-feira fui informado pelo Eldo de que alguem deixou pra mim, lá no sebo no Bac, um envelope grande, eu já havia saído, o Eldo então deixou o envelope pra Marcinha no Parlapatões. Depois da apresentação da banda Fabrica de Animais, cansado, pensando em ir pra casa dormir, lembrei-me do tal envelope grande, endereçado a minha pessoa. Fui até lá. No caminho pensava: quem me deixaria um envelope grande? O que terá dentro? Documentos comprometedores? Chantagem? Um contrato? Chego ao Parlapatões e a Marcinha já me estende o envelopão. Não abri ali. Levei pro hotel. Cheguei a cogitar a possibilidade de ser uma bomba. Finalmente abro. Uma foto minha, grande, o rosto no escuro, fumo um cigarro, uso uma camiseta da rádio Transamérica e por cima uma camisa comum. Não reconheço o local da foto. Pela camiseta identifico a data, por volta de 96, 97, por aí. Quem tirou esta foto? Olho atrás e o mistério se desfaz:
Zé Filho – Londrina - 1997.
Zé Filho é um poeta e fotógrafo muito criativo, embora bastante tímido. Conheci o Zé Filho através do Reinaldão. Pra você entender a ponte, tenho que contar a historia da invasão dos poetas Londrinenses a cidade de São Paulo no início da década de 1990, uma saga repleta de sexo, sangue, lágrimas, maconha e pensões baratas. Mas isto é assunto pra outro post.
A estória de que o Bac tem medo de cachorro já é publica e notória, mas, durante as filmagens de Meninos de Kichute, ele soltou outra pérola de sua biografia:
_ Sofri acidente de ônibus... o ônibus CAPOTOU!!!
Para ver estas curiosidades acesse: http://meninosdekichute.uol.com.br/site/assista/making-of.php e veja o mais novo making of do filme. Já estáo tambem disponiveis duas cenas deletadas alem de album com fotos do elenco, COMPLETO, todas seguidas de pequenas biografias.
Ontem durante o show da banda FABRICA DE ANIMAIS, da minha amiga Fernanda D’Umbra, constatei o que muita gente tem constatado, o público da noite está a cada dia passando mais tempo nas calçadas do que nas casas. Porque? Pra fumar. E como o cigarrro tem esta coisa gregária, formam-se grupos solidários de fumantes, dezenas deles. Este na verdade é um dos poucos fatores positivos (?) desta tal lei, porque, no geral, esta, como todas as leis proibitivas, geram ilegalidades. A proibição de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos gerou além de pequenos contraventores, fabricantes de uísque caseiros, em sua maioria pais de família, músicos, sindicalistas, a Máfia. A proibição da cocaína gerou o tráfico de drogas nos morros, é bom dizer que a figura do narcotraficante como conhecemos hoje só apareceu graças a juíza Denise Frossard que botou na cadeia os bicheiros, mafiosos brasileiros que seguravam as pontas nos morros, e cuja ação se baseava puramente no jogo do bicho, com a saída deles, os traficantes tomaram conta. Cada um deve ter um pôster dela no quarto. Mas com dizia, toda lei proibitiva gera uma nova ilegalidade e muitas vezes esta proibição é até amena, mas gera ilegalidade. Alguns medicamentos feitos a base de anfetaminas, são proibidos, ou melhor, só podem ser comprados através de receita médica, aí que esta proibição gera uma ilegalidade no mínimo inusitada: pessoas que querem esta droga, apelam para médicos que vendem estas receitas. Não pense que quem compra estas drogas são junkies, não, são donas de casa, mulheres de 30 a 40 anos que na ânsia de emagrecer, apelam para o medicamento. Essas mulheres, a maioria, tem que exporem-se a médicos filhos da puta que, em muitos casos, assediam-nas sexual e moralmente. Toda proibição gera ilegalidade. O melhor seria liberar geral. Tudo. E não me venha com o argumento de que teremos um país de malucos. O álcool é liberado e nem por isto a população anda bêbada noite e dia, a não ser o Jaguar. Mas não podemos ficar só no desejo, é preciso que este movimento para a liberação geral tome corpo, pois as pessoas do outro lado, os fundamentalistas, estão trabalhando a todo vapor, inclusive agora, pra te proibir de mais alguma coisa, até que nossas vidas sejam emulação do christianism way of life.
O comediante Renato Tortorelli que tive a honra de conhecer em Londrina, me convidou para participar hoje do Fuzi Lando, um grupo de comédia que se apresenta na Vila Madalena. Fazem parte do grupo, além do Renato, a dupla de locutores da rádio Transamérica, Rudy e Fuzil. Hoje vou apresentar um novo texto sobre os maconheiros. Fiz no Valentino (Londrina) e funcionou, muito.
Fuzi Lando – Stand up Comedy
Hoje às 21:30h. Rua Fidalga, 375 – Vila Madalena, SP Preço: R$ 20 o casal ou R$ 15 individual Reservas: (11) 2579 – 9909
Neste domingo volto a Londrina pra mais uma apresentação de stand up comedy. Diferente das últimas apresentaçoes que foram, ou curtas, em torno de quinze a vinte minutos, ou junto com outros artistas, como aconteceu com Marquinhos Diet, Renato Tortorelli, ou com o pessoal do Seleção do Humor (Márcio Riberio, Bruno Motta e Ben Ludmer), desta vez faço uma apresentaçao solo. Será uma hora pra apresentar os textos já testados e, julgo eu, aprovados, alem de novos. Este ano produzi vários textos, vi coisa novas, conheci comediantes norte-americanos praticamente desconhecidos do público brasileiro que me levaram a criar novos textos, material que sinto ser mais contundentes, sem contudo perder o humor.
Muito tem se falado sobre o fim precoce do stand up comedy, o que é uma bobagem, o que pode acabar, sumir do mapa são alguns comediantes que embarcaram de graça nesta nau, mas com o tempo aqueles que realmente tem algo a dizer, que se dedicam ao gênero como se dedicavam a outras áreas da criação, e que buscam algo mais que holofotes, estes permanecerão e, acredito, em breve teremos alguns comediantes especializando-se em determinados temas, como acontece nos Estados Unidos. Quem viver rirá (essa foi péssima). Semana que vem já estou de volta para dirigir minha amiga Fabiana Vajman num monólgo que é quase um stand up, quase. O texto é do brother Jarbas Capusso.